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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O Convite, sexo, casamento e o desejo de voltar a se sentir vivo em um relacionamento estagnado e fadado ao fracasso

 

Como falei no outro post, recentemente tive um termo que foi um tanto quanto doloroso. E a culpa do fim foi 100% minha. Íamos muito ao cinema, e uma ou duas semanas depois do término tomei coragem pra a ir sozinho assistir a um filme que eu estava ansiosíssimo pra conferir: Trata-se de “O Convite”, dirigido pela Olivia Wilde, ótima na direção e também entregando uma performance precisa, engraçada e também dolorosa. Esse filme, além de abordar de forma digna e inteligente o sexo entre casais (o famoso swing), também fala sobre como um relacionamento estagnado pode levar a uma vida sem sentido. Foi uma tapa na cara ver isso, por conta do momento em que eu estou passando. E talvez isso tenha enriquecido a minha experiência como espectador. O filme é 10 de 10.

Para ler a minha crítica completa, sem desabafos e com palavras mais bonitinhas, acesse:

Veja crítica completa – “O Convite” (2006) – Direção: Olivia Wilde (EUA)

domingo, 14 de junho de 2015

A relativização da dor alheia


Como já dizia Caetano Veloso na sua canção Dom de Iludir, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. De fato sabemos, e sabemos sobretudo sobre a nossa dor. Aquela dor que não compartilhamos nas redes sociais, aquela dor que muitas vezes tentamos guardar dentro da gente com medo de sofrer repressão da trupe que diz que tudo é "vitimismo", tudo é "mimimi". Compartilhar tristeza ainda não é tão popular quanto compartilhar momentos felizes, de bebedeira e sorrisos. O seu sorriso, muitos conhecem, a sua dor mais íntima, não. Porque, por mais que haja boa vontade e empatia,  as pessoas jamais poderão sentir aquilo que sentimos de fato. Essa avaliação é subjetiva, íntima e individual. Não há espaço para julgamentos, aqui ele não é um ato fidedigno.

'"Fala-se de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzices, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.'' — Nelson Rodrigues

sábado, 21 de dezembro de 2013

Leitor invisível: A arte de escrever para si mesmo



Quando o assunto é a maneira com que expresso meus sentimentos e minhas ideias nas redes sociais, como uma forma de desabafo ou descarrego emocional, eu acabo apreciando a liberdade que tenho no Twitter e desprezando o Facebook. Eu realmente gosto da forma com que o Twitter permite que eu seja extremamente sincero, cínico e desagradável, visto que não tenho essa liberdade no Facebook, onde sou rodeado por pessoas mais íntimas que desconhecem o meu lado crítico e polêmico, e que podem se chocar ou questionar qualquer posicionamento que eu tome enquanto escrevo os meus textos. No Twitter o pessoal é bem mais tranquilo, aberto e deliciosamente indiferente. Eu falo, eles fingem que leem, e por isso não há nenhum tipo de represália. É uma sensação de escrever para o nada, ou para si mesmo. É uma jornada psicológica e profunda dentro da própria mente, uma atividade só sua, um desabafo. Não há nada mais reconfortante. Ás vezes ser ''ignorado'' faz bem para o coração...

Por: @FelipeTavares

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Inocência, morna e ingênua



''De repente, a gente vê que perdeu 
Ou está perdendo alguma coisa 
Morna e ingênua que vai ficando no caminho...'' 
Cazuza

Quando foi que a gente perdeu a capacidade de imaginar que todas as possibilidades estão ao nosso alcance? O tempo passa, e a vida vai ficando mais exata, mais chata; O bom de ser criança é não seguir nenhuma cartilha social, é ser pequeno e mesmo assim se sentir tão próximo das estrelas, a ponto de ter a certeza de que é possível tocá-las...Distância? Anos-luz? Isso é coisa inventada pelos adultos. Não caiam nessa!

O amor segundo F. Tavares...



Título interessante, mas afinal, quem sou eu pra falar de amor?
Completamente sem jeito pra lidar com emoções
Quando elas precisam ser compartilhadas com alguém
Sou um egoísta filho da mãe
Posso escrever os versos mais lindos
Mas eu os guardo pra mim
Não sei dividi-los
E nem estou apto a amar
Mas eu preciso que me amem, sabe?
Não posso retribuir o amor de ninguém
Mas me amem.
Desconsiderem a minha estranheza
Perdoem a minha insensibilidade
A minha estupidez
O meu egoísmo
E me amem.

Por: @FelipeTavares

sábado, 11 de maio de 2013

Raimundo: Poeta e ex-morador de rua ganha página no facebook com seus escritos


No post de hoje você vai conhecer a história de Raimundo Arruda Sobrinho, 74 anos, que viveu mais de 30 anos nas ruas de São Paulo e que encontrou nos versos uma saída para a situação em que se encontrava. Foi com a ajuda da sua poesia que ele reencontrou a família e está prestes a realizar um dos seus maiores sonhos: Publicar seu primeiro livro.

Av. Pedroso de Moraes, sem número e sem casa, esse era o endereço de Raimundo, personagem de uma história interessante, em que o "mendigo", que um dia foi vendedor de livros, vira escritor de rua. Foi nesse bairro nobre de São Paulo que Raimundo fez amizade com vizinhos que se aproximaram dele, curiosos com a figura de um homem barbudo e sempre com a caneta na mão.

De todas as pessoas que se impressionavam com o fato de uma pessoa em situação de rua estar sempre escrevendo, destaca-se Shalla Monteiro, que tinha um propósito bem definido: Tornar conhecida a obra do poeta que há mais de 30 anos não tinha um teto. Ela guarda em uma caixinha os poemas de Raimundo e demonstra ter uma enorme empolgação com um sujeito estranho que tinha mais a oferecer do que a pedir. Faltava sapato, faltava comida e sobrava poesia. "Depois da matéria de tudo que a natureza modela, restam as formas vazias.'' Ass: O Condicionado (pseudônimo que o poeta adquiriu para suas obras).

Quando Shalla, no último inverno, levou cobertores para Raimundo e perguntou se ele não sentia frio, ouviu a seguinte resposta"O frio e o calor são transitórios. O café esfria progressivamente, a gente não armazena nada". A cara dela ao ouvir isso esboçava a espantosa alegria de quem estava descobrindo a maior riqueza de uma pessoa, o seu talento.

E Raimundo continua surpreendendo Shalla, que até hoje é uma das suas maiores fãs. Os dois continuam se falando e mantendo contato por telefone. Sim, por telefone, porque hoje o ex-morador de rua vive com a família em Goiânia. Ele foi reencontrado graças a uma página da internet criada para divulgar as suas obras (Quem tiver interesse, clique aqui e curta a comunidade do facebook dedicada ao poeta).

Há nove meses longe das ruas, Raimundo está fisicamente diferente, sem barba, e mais saudável. Só não muda uma coisa: a caneta na mão. Ele passa a maior parte dos seus dias escrevendo poemas e sonhando em um dia publicar tudo aquilo que criou enquanto estava nas ruas. Ele disse em entrevistas que sua obra vale aquilo que o leitor tiver a oferecer. Ele vendia seus poemas, quando era "mendigo", tanto por 0,10 centavos, quanto por um prato de comida ou até 50 reais.

Sonho realizado, Raimundo e Shalla selecionam juntos as obras que farão parte do primeiro livro que ele vai publicar. Esse fato, com ares de ficção, é o capítulo mais interessante da vida real e que parece encaminhar para um final feliz a história do morador de rua com alma de poeta...

"O que ele cria
às vezes pode ficar
Eternamente
desconhecido do público
Porque ele não
encontra um leitor
À altura de compreendê-lo."

Ass: O Condicionado

Siga no Twitter: @FelipeTavares



sábado, 24 de novembro de 2012

Estranha saudade...



Faz quase um ano que eu fiz a primeira fase do vestibular da FUVEST, foi um ano difícil, eu passei a ser meu pior inimigo, aquele que não estudou o suficiente e aquele que se culpou o ano todo por não ter se dedicado o quanto deveria. Apesar da trajetória ter sido um tanto sofrida, cheia de pressão, incertezas e medo, eu fico com saudade de tudo isso. Saudade do desafio, saudade de tremer na hora de corrigir um simples gabarito, saudade de ter vivido tudo o que eu vivi no cursinho, de ter feito ou até reforçado algumas amizades. Saudade de correr da escola pra rodoviária em menos de 10 minutos. Saudades de sair sozinho pelas ruas de Ribeirão, andando sem rumo e pensando o que seria da minha vida tanto no caso de um resultado positivo como num negativo. Saudade de achar que até arrumar meu quarto é melhor do que estudar. Saudade de pensar no vestibular o tempo todo. E saudade do momento da aprovação. Sabe aquele sentimento extasiante e indescritível de ver seu nome na lista de aprovados de uma universidade renomada? 


É certo que hoje eu amadureci minhas ideias e por experiência própria já não idealizo a faculdade pública como um dia eu cheguei a idealizar, mas o que eu quero dizer é que, apesar de me ver livre de uma seleção injusta e que mexe muito com a nossa mente e com o nosso coração, eu tenho uma pontinha de inveja de vocês, vestibulandos 2012, porque eu tenho certeza que vocês estão vivendo aquela ''expectativa estranhamente gostosa'' que um dia pertenceu a mim. 


Por: @FelipeTavares

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Cabana...

 
E se o passado parecer mais agradável que o presente?

Talvez o lugar que eu mais sinta falta seja aquele que não poderia proporcionar um futuro que dizem ser o ideal pra mim. O simples me cativa, e é por isso que eu venho despedaçando pouco a pouco aquele que era o maior sonho da minha vida.

Aquele castelo que eu tanto idealizei e lutei para construir já não me faz tão feliz e pode ser, por incrível que pareça, que eu me sinta mais acolhido naquela cabaninha simples, a cabana onde guardei sonhos, amigos esquecidos e amores que não correspondi por covardia, medo e timidez.
Por: @FelipeTavares